sexta-feira, 21 de julho de 2017

Olá Pessoal. Escrevo em uma tarde ensolarada, porém fria. Tinha me esquecido como é o frio daqui, pois o último inverno foi em Aveiro e...

Olá Pessoal.

Escrevo em uma tarde ensolarada, porém fria. Tinha me esquecido como é o frio daqui, pois o último inverno foi em Aveiro e há diferenças, como vocês devem saber pelas postagens anteriores.

Estou muito feliz pelo desenvolvimento do meu trabalho: ESCRITORES BRASILEIROS NO PROGRAMA DO ENSINO BÁSICO EM PORTUGAL: À DESCOBERTA DA LITERATURA DO OUTRO LADO DO ATLÂNTICO, aquele que vou apresentar em agosto na Unesp de Presidente Prudente.

Esse trabalho está dentro dos Estudos Orientados, em que devemos entregar no final do semestre. Com uma grande paciência e generosidade, a professora de Literatura para a Infância e Juventude aceitou me orientar, de novo, nesse trabalho e depois de leituras, vai e volta, correções ele está quase pronto. O resumo foi aceito em maio e essa semana eu recebi da comissão do congresso a sala de apresentação, paralelo a isso já tenho a passagem de ida comprada e um lugar para me hospedar durante os três dias de congresso.

Presidente Prudente está a 534 km de Campinas e se eu fosse de carro demoraria para chegar: 5h26 minutos, dados do Google. De avião será em uma hora e meia. Tenho visto alguns vídeos na internet para conhecer superficialmente a cidade e não me perder, para ter aquela sensação de segurança.

Ainda sobre o trabalho, ele está ficando lindo! O pôster foi tão cuidado, e a professora é bem atenciosa, trocamos e-mails e ela sinaliza as alterações. Sinto que parece um mosaico, pois está sempre alterando uma coisinha e outra, por pedacinhos. Acredita que eu confundi esquerda e direita no alinhamento? Ai que vergonha! Mas a professora voltou o e-mail dizendo que corrigiu, pois não estava conforme a orientação. Não tem como falar, só sentir.

Bom pessoal, por hoje é só!

Um grande abraço e apreciem o inverno, já já ele acaba.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Olá, pessoal Há uma semana cheguei ao Brasil e me despedi do lar que me pertenceu por um período de tempo determinado. Sabia que não ...

Olá, pessoal


Há uma semana cheguei ao Brasil e me despedi do lar que me pertenceu por um período de tempo determinado. Sabia que não seria para sempre e desconhecia o que esse tempo poderia me alterar. Ainda sou nômade, mas faço lar no lugar onde meu coração está.


Era Portugal a minha pátria, Aveiro a minha casa, suas ruas o meu rumo, a Universidade o meu prumo, a rotina a minha inércia, os amigos a minha singela alegria, os professores a minha gratidão, o meu estímulo.


Na última semana, antes de voltar ao Brasil, fui à Itália. Estabeleci um pouso em Milão e adormeci lá por três dias. Nas manhãs de sol visitei Turim e Veneza, cidades vizinhas. Na manhã de chuva parti para Roma. Pernoitei nessa cidade para deixar minhas coisas de viagem e conheci Pisa e Florença. Voltei a Portugal em uma manhã tranquila que ainda não se conhecia os raios de sol, era madrugada quando me dirigi ao aeroporto. 


Ganhei as ruas, errei pelos cantos, os braços cresciam abraçando as cidades, os olhos ficavam úmidos de tanto observar, o tédio não existia, o deslumbre pouco a pouco era substituído pela realidade. Pensava embaixo de árvores, comia em praças, conversava com estrangeiros. Vi a pobreza mesclada com a riqueza, toquei lugares antes vistos apenas nos livros, na internet. Olhei para o céu, naquele azul brilhante e pensei: Nada há de novo embaixo de você!


Foi no trem, de Roma à Pisa, que conheci a Zita. Senhora animada, gentil e simpática, brasileira do Rio de Janeiro, casada há 25 anos com um Italiano. Estava voltando de férias com a família. Depois de trocarmos histórias ela me convidou a ir a sua casa e me lembro direitinho ela dizer, com aquele sorriso largo transportando doçura: “Vá à Pisa e depois me encontre em Firenze, vou levar você para tomar açaí, você gosta de açaí, né?”. Fiquei tão feliz por passar aquele último dia na sua presença e por poder contar essa história que só foi possível por enfrentar o medo da viagem sozinho, em um país diferente, descobrindo e sendo descoberto.


Durante esse tempo, posso dizer a vocês que superei alguns medos e alcancei novas colinas. É como se você estivesse em um lugar que enxergasse um monte e se permitisse caminhar até lá. Há várias intempéries até o destino final, mas você supera, chega ao topo do monte, ao cume; fica feliz, respira e observa que há outros, de outras formas e tamanhos e que aquilo que lhe trouxe até ali só foi possível, porque você se permitiu.


Continuo com algumas convicções que fazem parte de mim, mas alarguei alguns pensamentos como se fosse um elástico, diferente deste, ele não volta ao tamanho anterior, o meu elástico está maior e sinto que consigo ampliá-lo, se não me corromper pela invisível inércia e pelo conforto do medo. 


De repente estou de volta. Escrevo assim, pois o tempo é uma percepção pessoal. Há o tempo que brinca, que rasteja, que voa, para mim esse tempo é muito versátil. Em uma semana visitei amigos, revi carinhas dos animais de estimação, e senti o calor de abraços que saciaram saudades adormecidas. Algumas coisas mudaram por aqui, outras se mantêm até hoje; na vida de amigos, nas ruas que caminho, na minha cabeça que penso. 


No próximo semestre estarei de volta aos corredores da Gloriosa, estou muito feliz em voltar para reencontrar os meus queridos da UFTM. Estou muito empolgado para as próximas disciplinas, e como sempre, um pouco inseguro em relação ao futuro. Ah, vida de nômade não é fácil, mas o que é fácil nessa vida? E fácil é só uma palavra a que você, leitor, carrega o sentido adequado a sua realidade.


Vemo-nos em breve, até logo.





 A Disfunção. Pág. 381


 Sobre Importâncias. Pág. 388



 Comportamento. Pág. 376

terça-feira, 4 de julho de 2017

Olá, pessoal. Esta é a última postagem que escrevo daqui da residência universitária em Aveiro. Não sei escrever detalhadamente como ...

Olá, pessoal.

Esta é a última postagem que escrevo daqui da residência universitária em Aveiro. Não sei escrever detalhadamente como me sinto, é um misto de sensações. Pode parecer meio piegas, mas é com lágrimas nos olhos que escrevo isso.

Aprendi muito durante a minha estadia aqui em Portugal, visitei lugares antes conhecidos apenas nos livros, nas leituras e pela fala dos meus professores.

Conheci pessoas incríveis, tive contato com professores tão sábios e humildes que não cabe aqui sublinhar cada gesto e cada momento que me tocaram, como aluno e como ser humano.

Das amizades que fiz restam-me as lembranças dos dias vividos, das angústias de final de semestre sempre compartida e das risadas nas madrugadas abafadas. Não consigo dizer nada mais, apenas sentir um nó na garganta ao lembrar-me de cada um.

A Universidade de Aveiro foi uma casa acolhedora em que cada aula, cada dia, pude aprender uma coisa nova e enriquecer essa vida de menino que tem ainda muito por descobrir. Tive professores excepcionais, mais duas delas me fizeram amar ainda mais essa carreira que estou a aprender.

Para a minha mestre da Literatura Infantil e Juvenil reservo as palavras mais doces e amáveis, da gratidão e do sublime amor que apreço pelo seu profissionalismo, excelência, dedicação e acima de tudo comprometimento e carinho. Pouco sei escrever para descrever a minha gratidão por seus olhares atentos as minhas linhas de texto corrido, as minhas recorrentes dúvidas fora de hora e a minha insistência em solicitar ajuda em duas orientações seguidas, no que demandou trabalho extra e esforço além do programa.

Para a minha mestre da Literatura Institucionalizada o meu constante sorriso e a minha gratidão por aulas saborosas, animadas, curiosas e ricas de conhecimento. Das vezes que pudemos estar juntos compartilhando minutos, nada posso esquecer e agradecer sempre a sinceridade, a amabilidade e o respeito que me tratou desde o início.

Esta postagem é mais para dizer a vocês, colegas que me leem, que o intercambio acabou, mas os laços que aqui criei jamais se romperão, pois foram feitos à medida, por fases, amadurecendo e dando frutos.

Aprender, cultivar e cooperar. Pensando assim, um gigantesco obrigado para cada um que me ajudou a enxergar o mundo diferente, que eu possa também fazê-lo àqueles que chegarem a mim com a mesma sede de construir.

Por hoje é só, um abraço. 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Olá, pessoal A postagem de hoje é para contar a vocês a minha experiência como voluntário na Associação Portuguesa de Pais e Amigos d...

Olá, pessoal

A postagem de hoje é para contar a vocês a minha experiência como voluntário na Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Aveiro – APPADM. Tudo começou quando entrei em contato com o CUFC – Centro Universitário de Fé e Cultura da Universidade de Aveiro. Foi por intermédio da Irmã Flávia que me direcionou a Associação.

No semestre passado tinha demonstrado o interesse em participar de algum projeto dessa natureza, mas por estar no final do ano e as atividades estarem concluídas não foi possível naquela data. Durante esse tempo frequentei as atividades do CUFC e participei da Ceia de Natal oferecida pela Universidade e pelo Centro, como contei para vocês nesta postagem.

Em meados de março recebi um e-mail do senhor Carlos, responsável pela associação, me perguntando sobre a minha disponibilidade e o motivo de querer fazer parte da instituição. Agendamos uma entrevista e conversamos, ele me esclareceu as minhas dúvidas e o solicitei uma visita à Instituição para conhecer os meninos.

Nesse dia pude constatar a organização, o profissionalismo e a competência desta Instituição que zela pelo bem estar desses cidadãos. Foi nessa visita em que conversei com a psicóloga e em seguida com os meninos.

Conversamos em uma sala grande, em volta de uma mesa larga em que cada um se apresentou e demonstraram abertos a me receber. Eu confesso que estava nervoso, sorria sempre envergonhado e suava as mãos. Os meninos foram muito amáveis e me disseram que iriam me ajudar. Agradeci a todos e comecei a frequentar a associação no dia 7 de abril, em uma sexta-feira.

As atividades ocorreram durante três meses em que estive em contato com uma realidade diferente do que eu estava acostumado. Durante esse tempo aprendi muitas coisas, difícil de enumerá-las, mas entre elas posso dizer que aprendi a observar melhor as pessoas, a me reconhecer, a ser mais empático, a dar mais valor ao trabalho de suporte das pessoas que estão nos “bastidores”. 

Fui tratado com muito carinho por todos eles, pelas funcionárias e pelo senhor Carlos. Foram atenciosos às minhas solicitações e eu sempre perguntava se estava tudo bem, se eu estava fazendo um bom trabalho. Estava sempre preocupado, pois não sabia ainda que o simples é fazer com amor aquilo que gostaria que fizesse por nós.

Caminhamos pelas tardes antes do anoitecer, pintamos com lápis de cor e canetinhas, lemos histórias, assistimos filmes engraçados e de velocidade, cochilei no sofá algumas vezes, fizemos bonecos de massinha, jantamos juntos, jogamos cartas, fomos ao cinema e o mais importante: tornamo-nos amigos, cúmplices, irmãos.

A última sexta-feira foi a minha despedida e com ela fizemos um grande balanço. Percebemos que a vida passa muito rápido e que nem eles e tampouco eu percebemos que já havia chegado o final do semestre, o dia da minha partida.

Ganhei de lembrança um livro do Egito, fotos autografadas, desenhos de uma página inteira, e uma despedida sentida e saudosa, com votos de felicidade e compromisso de um futuro regresso, em meio a abraços e lágrimas.

Espero que no próximo semestre os meninos encontrem um novo voluntário e espero também que esse voluntário seja melhor que eu, pois sempre desejamos o melhor aos nossos amigos. Pensando nisso, escrevo aqui uma pequena “boas-vindas” ao novo voluntário:

Querido amigo:

Estou muito feliz que você se tenha permitido ter essa experiência, de adentrar em um mundo novo, tão as margens do que estamos acostumados. Acredito que embora no início pareça difícil, por não conhecer a rotina e o espírito de cada um deles, digo que não é! Tranquilize-se. Trabalhe com carinho, perguntando, ouvindo e verá que você levará mais contribuições, que ilusoriamente pensava ter trazido. Poderia dizer também o que cada um deles gosta mais, mas acredito que privaria você de descobrir essas coisas tão belas e que faz parte do nosso aprendizado. Para não me alongar muito, deixo o meu muito obrigado e peço, gentilmente, que envie a eles o meu saudoso abraço.


terça-feira, 13 de junho de 2017

Olá, pessoal Escrevo em uma manhã ensolarada e quente, aqui da biblioteca do departamento de Educação e Psicologia. Estou em uma sala...

Olá, pessoal

Escrevo em uma manhã ensolarada e quente, aqui da biblioteca do departamento de Educação e Psicologia. Estou em uma sala de estudos em que há uma janela bem larga em que posso ver o CUFC - Centro Universitário de Fé e Cultura e os jardins da Universidade.

As aulas acabaram, assim como as apresentações de trabalhos e algumas provas, a minha última prova será amanhã, de Organização e Gestão Escolar. Ontem entreguei o meu trabalho de Literatura para a Infância e Juventude e conversei com a professora sobre os Estudos Orientados.

Ainda não acabaram todas as obrigações acadêmicas, pois me falta começar a análise dos testes da pesquisa e desenvolver os Estudos Orientados.

No final de semana fui à Évora, uma cidade na região do Alentejo muito bonita, cheia de história e cultura. Visitei a famosa Capela dos Ossos, o Templo Romano, a igreja de São Francisco, a Sé Catedral de Évora e o Museu. Foi neste final de semana que aconteceu a 4.ª Edição da EXIB Música e Mostra de Culturas Ibero-americanas | Alentejo em Cena, e foi muito divertido. Assisti a um show de Fado com música brasileira.

No sábado aconteceu o encontro Internacional de Coros no Teatro Garcia de Resende, além do teatro ser muito bonito a apresentação aconteceu em português e espanhol, o que achei muito interessante, ah! Mais uma vez tivemos a participação da música brasileira que foi emocionante. 

Em Évora conheci a Maira, contadora de história e aluna da Unicamp, o Tomás, da Madeira e ator, e participei de um piquenique com seus agradáveis e generosos amigos, conversamos sobre a vida universitária e os nossos devaneios pessoais e profissionais. Por fim, visitei a cidade, a universidade e as ruas desta cidade que me trouxe grandes alegrias.

O ciclo estudantil em Portugal está terminando e com ele é comum às despedidas. Fiz muito conhecidos aqui e alguns deles se tornaram amigos que fica difícil não abraçá-los com os olhinhos marejados. Na última sexta-feira despedi da Eva e da Jasmim, duas amigas chinesas que moravam no mesmo condomínio que eu, também estudavam no Departamento de Línguas e Culturas, e agora voltaram à China. Fomos ao Cais Madeirense, um restaurante na Praça do Peixe que tem um ótimo lanche por 3,50 euros e uma sangria refrescante que compartimos e pagamos 1,50 cada um. 

Ao me despedir delas foi como se um filme passasse em minha cabeça, diante dos meus olhos, de todos os momentos vividos, foi mágico! Eu estou muito feliz por ter a oportunidade de ter essa experiência e poder conhecer pessoas tão diferentes e amáveis.

Ainda em tom de despedida. O meu amigo português, o André, e eu resolvemos raspar o nosso cabelo juntos, em uma espécie de “corte de cabelo de despedida – inovação luso-brasileira”. Foi algo simbólico e muito especial, pois agora iremos iniciar um novo ciclo em nossas vidas, cada um em seu país. O André é aluno ingressante e assim como eu, tivemos as primeiras impressões e experiências na Universidade de Aveiro.

Se foram os meus colegas chineses, de casa e agora de coração. Se foi a Mari para a Alemanha, a Irina e a Olga para a Rússia, a Maira para o Brasil, o Miika para Finlândia... Assim como eu, daqui alguns dias. Estou nostálgico, mas isso é tão bom!


Bom pessoal, por hoje é só. Até a próxima semana.